Quando falha o Estado, caem pessoas
Esta semana, houve uma evidência que se impôs com a força das coisas simples no meio da calamidade que se abateu no nosso país: precisamos do Estado social. Precisamos dele não como abstração ideológica, mas como presença concreta — aquela que ampara quem ficou sem chão, quem tem menos recursos, quem é estruturalmente mais frágil.
É uma infraestrutura invisível de sobrevivência coletiva. Quando falha, não caem ideologias: caem pessoas. Talvez a calamidade tenha servido, ao menos, para isto — para lembrar que nenhuma sociedade resiste muito tempo baseada na ilusão da “auto-suficiência” e do recurso às companhias de seguros. Há uma escolha a fazer. Sempre houve.
Percebemos também, talvez com menos paciência para slogans, que gritar “o socialismo vem aí” como se fosse um cataclismo natural não passa de uma escolha política clara: a do “arranje-se cada um por si”. Uma escolha que ignora — ou finge ignorar — que o nosso território........
