Governar a crédito
O ano político recomeça, e recomeça mais difícil para o Governo. Não porque a oposição tenha crescido, mas porque o espaço em que o Executivo se movia fechou — e fechou-se, em boa parte, por mão própria. De um lado, o flanco à direita, que cultivou e perdeu; do outro, o apoio ao centro, de que passou a depender sem o controlar. Convém lê-lo pela geometria, não pela espuma dos casos.
Durante dois anos, a margem de manobra do Governo residiu numa ambiguidade cultivada: dialogar à direita sem casar com ela. Do “não é não” passou-se à “disponibilidade” — votaram-se em conjunto a lei dos estrangeiros e alterações fiscais, sempre com a ressalva de que não havia coligação. Mas quando procurou o acordo que faltava, na legislação laboral, foi o Chega que o matou à última hora, exigindo-lhe logo a cabeça de um ministro. A aproximação falhou da pior maneira: sem a clareza de que abdicou e sem o parceiro que procurou, pagou o preço da aliança sem o........
