As marionetas
Se olharmos desapaixonadamente, do que se trata é de um teatro de marionetas, umas figurinhas coloridas que esbracejam, dançam e debitam incessantemente, presas por um cordel, manietadas por uma mão invisível, que ao invés da do Adam Smith tem rosto, vontade e comandos, sempre à espreita. As marionetas perderam a noção do seu papel instrumental, atendo-se aos enredos medíocres do momento, procurando tacticamente sobreviver, sem sentido de ideal ou sonho consistente. Como alguém disse, anquilosaram a sua matriz identitária e transformaram o palco numa mera máquina de conquista, acesso e distribuição de domínio, afrontando a cultura e a estabilidade das instituições, asfixiando as suas bases sociais de apoio pela proletarização e empobrecimento, ao sabor de um vento cénico inconsequente.
As figurinhas exibem os seus ilusionismos gastos, os seus fatitos reluzentes e malinhas de griffe e saltitam inquietas e pressurosas........
