O que querem os europeus?
A pergunta parece simples. Mas talvez a resposta comece por uma reflexão mais profunda sobre quem somos.
O filósofo açoriano Onésimo Teotónio Almeida escreveu certa vez: “Quando fui para a Terceira, pensei que era micaelense. Na Madeira, senti-me açoriano. Em Lisboa, percebi que era insular…”
A ideia prolonga-se facilmente: no continente somos madeirenses, fora de Portugal somos portugueses e, perante o mundo, percebemos que também somos europeus. A identidade constrói-se na relação com o outro e, no fundo, aquilo que nos une continua a ser muito maior do que aquilo que nos separa.
Mas alguma coisa está a mudar na Europa.
A vitória da AfD nas eleições regionais da Saxónia-Anhalt, com cerca de 44% dos votos, não pode ser tratada como um simples acidente eleitoral. Pela primeira vez desde o final da II Guerra Mundial, um partido desta natureza venceu umas eleições estaduais na Alemanha. E não venceu por pouco: ficou muito perto da maioria absoluta e deixou os partidos tradicionais a uma enorme distância.
Perante um resultado desta dimensão, surgem imediatamente os rótulos habituais. Diz-se........
