Ciência, democracia e autonomia política regional
No artigo “Sem ciência não há democracia sustentável”, o Professor A. Teodoro, n´ Público (01/08), desenvolve uma reflexão sobre a relação estrutural entre ciência, conhecimento, democracia e desenvolvimento social. Apresenta-nos uma visão no sentido de que a ciência não deve ser entendida apenas como instrumento de inovação económica ou de competitividade, mas como uma condição de sustentação das próprias sociedades democráticas.
Ao longo do século XX consolidou-se a ideia de que não existe democracia sólida sem educação pública, uma vez que esta constitui um instrumento essencial para a transmissão do conhecimento. Teodoro propõe uma ampliação do conceito sustentando que, no século XXI, a democracia exige igualmente uma política científica robusta e socialmente orientada.
Ora, a bem de ver, tal conduz à nossa convicção de que à ciência devem ser-lhe dadas, assim, condições para ser apresentada como infraestrutura cognitiva indispensável à própria liberdade democrática.
Esta questão assume especial relevo perante as profundas transformações contemporâneas. A Inteligência Artificial, as alterações climáticas, a competição tecnológica, a desinformação, a polarização social e a erosão da confiança nas........
