Rosa da Ribeira
Ele tinha combinado tomar um café num determinado sítio às 14:00 em ponto. Foi lá ter dez minutos antes e pediu um chá de limão, porque estava engripado, ou julgava estar engripado. Esperou trinta e cinco minutos em vão. Depois, esperou mais 15 minutos em vão e ficou triste, sentiu-se ridículo, como o Rei dos Patetas Apaixonados, embora não estivesse apaixonado. Antes pelo contrário, estava era a morrer de solidão e só pensava em sexo.
Era a segunda vez que ela o deixava pendurado à espera, sem aparecer.
Da primeira vez, telefonara-lhe à noite, a pedir desculpas, dizendo que o trabalho no supermercado tinha descambado por causa de um atraso na entrega de mercadoria – ela era repositora numa grande superfície – e depois, para o acalmar, pediu-lhe que fizesse uma série de exercícios de ioga e ele levou o pedido a sério, porque a sua voz era rouca e sensual e sexual também.
Deitou-se no chão, no meio da sala, e seguiu as indicações. Concentrou-se nos dedos dos pés e........
