Porquê? Porquê? Porquê?
Já tinha passado mais de um ano, mas o gajo ainda chorava todos os dias e perguntava porquê. Coitado, o gajo chorava todos os dias e perguntava porquê. Diz-me porquê? Por que me deixaste? Porquê? O que foi que eu fiz? O gajo sempre a insistir, sempre a telefonar, sempre a mandar mensagens, noite e dia. Porquê? Porquê? Porquê?
Ela, porém, mantinha-se inflexível.
– Acabou. Ponto final. – Dizia, com uma frieza inacreditável, como se não tivessem vivido juntos dez anos.
Depois, considerando que a situação era absolutamente normal, tratava-o como se fosse uma lata de conserva cujo prazo de validade expirara há muito tempo e, para arrumar o assunto, pedia-lhe que fizesse o mesmo em relação a si.
– Trata-me como um produto fora de validade.
A perfídia da mulher é terrível, pensava ele e chorava:
– Porquê? Porquê? Porquê?
Andava ele neste estado de desgraça emocional há mais de um ano, quando, de repente, conheceu outra gaja, uma gaja chamada Maria Juana, filha........
