Documentário sobre astrofísica
Três dias depois de ter saído do mato, ele continuava sem ver o seu rosto. Tinha-o visto aqui e ali, mas fugazmente. Vira-o no sábado, no espelho da casa de banho do Restaurante Estrela. Depois, vira-o no domingo à noite, quando desceu para jantar, ao longe, no espelho atrás do balcão do bar do Motel Brisa Verde. Já hoje de manhãzinha, segunda-feira, abeirou-se do retrovisor de um carro que estava estacionado à frente do motel e espreitou como quem não quer a coisa, ou como quem finge que está a observar algo que provoca incómodo, uma borbulha, uma picada de inseto, um cisco no olho, algo assim. Mas todas estas visões soaram-lhe a nada.
Por isso, por volta das 10 horas, foi ao mercado comprar um espelho. A partir de agora iria andar sempre com um espelhinho no bolso, como faziam os homens da sua terra antigamente, quando saíam em passeio aos domingos. De caminho aproveitou para comprar quatro pares de cuecas, duas camisolas, uns calções, uma toalhinha turca, uma escova e pasta para lavar os dentes, um frasco de champô, um sabonete e........
