O poder de limitar o poder
A democracia não é perfeita. Nunca foi. Nem poderia ser. A sua grande virtude reside na capacidade de corrigir os seus próprios erros sem recorrer à violência ou à imposição arbitrária (ou discricionária) do poder e não numa promessa de perfeição. O erro consiste, precisamente, em reduzir a democracia ao ato eleitoral, como se votar fosse suficiente para garantir, per se, o bom funcionamento do sistema político.
Platão comparava a democracia a um navio comandado por um capitão surdo e de visão curta. A tripulação, convencida de que governar era fácil, disputava o leme. Todos queriam mandar. Poucos sabiam navegar. A metáfora continua, desconfortavelmente, atual. O problema surge quando se assume que a vontade popular, per se, dispensa o conhecimento, a prudência, a responsabilidade ou a ética e a moral. De facto, a legitimidade democrática é indispensável, mas não substitui a qualidade das decisões nem a obrigação de prestar contas.
Os gregos cedo perceberam que todas as formas de governo transportam consigo o risco........
