O testemunho de dom Pedro II, ou: que falta nos faz um estadista
“Pobre país em que o monarca é mais liberal que o súdito! Em que um desgraçado, que se acaba de fazer senador, ainda quer a nação infamada pela nefanda escravidão.” (André Rebouças, em 1868)
A frase em epígrafe, registrada por André Rebouças em seu Diário, é uma das muitas mostras de admiração que o grande abolicionista tinha por dom Pedro II. E foi exatamente a devoção de Rebouças que me fez querer conhecer mais sobre o maior – se não o único – estadista que esse país já teve. Tudo aquilo que vemos professores de História, pesquisadores militantes e jornalistas dizerem sobre o imperador não resiste aos fatos, todos muito bem documentados por muitos historiadores sérios. De fato, dom Pedro foi um grande homem e um brasileiro verdadeiramente preocupado com o país. Como disse José Murilo de Carvalho em seu pequeno notável Pedro II:
“Havia uma paixão que dominava tanto dom Pedro II como Pedro de Alcântara e soldava os lados conflitantes do homem, a paixão pelo Brasil. Era um amor surpreendente em quem foi mantido isolado da terra e da gente do país até a adolescência, convivendo apenas com os mestres, os serviçais e alguns políticos [...]. Foi como se, na ausência da figura paterna, de um modelo em que se espelhar e em que firmar sua identidade, o imperador adolescente tivesse escolhido o próprio país como referência.”
Tudo aquilo que vemos professores de História, pesquisadores militantes e jornalistas dizerem sobre dom Pedro II não resiste aos fatos, todos muito bem documentados por muitos historiadores sérios
Tudo aquilo que vemos professores de História, pesquisadores militantes e jornalistas dizerem sobre dom Pedro II não resiste aos fatos, todos muito bem documentados por muitos historiadores sérios
E não há dúvidas de que o golpe que sofreu, em 15 de novembro de 1889, matou o Brasil. Ao ser expulso do país pelos republicanos e militares golpistas – de madrugada, a fim de não provocar a revolta da população, que o amava –, pegou um punhado de terra do chão, guardou e mandou confeccionar um travesseiro com ela, dizendo que, quando morresse, que deitassem sua cabeça nele, numa demonstração não “de demagogia, nem de sentimentalismo barato. Era pobre consolo por ser obrigado a morrer e ser enterrado longe da pátria”, como nos atesta José Murilo de Carvalho.
Há algo mais curioso sobre a anotação de Rebouças, o motivo: a abolição. Diz ele:
“O Imperador ia sair para a festa do Senhor dos Passos, na Capela Imperial; conversou, contudo, ainda uns 20 minutos com o Conselheiro Francisco de Paula Negreiros Saião Lobato, escolhido ontem Senador pelo Rio de Janeiro. Disseram que ontem tivera com o Imperador larga conferência. – Será o organizador do novo Ministério? Conversaram sobre política geral. O Saião Lobato, falando muito mal do partido liberal, sobretudo de Zacarias e Nabuco, pedindo medidas restritivas e dizendo que o princípio monárquico estava em perigo. O Imperador dizia que havia medidas e reformas liberais que se deviam adotar; não achava ainda ocasião de medidas de rigor! O Saião Lobato sustentava o esclavagismo; O Imperador disse ʻque não........
