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Sambando na cara do reinado

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14.02.2026

Era uma vez um rei que se julgava amado. Não amado como se ama um pai justo, ou um líder prudente, mas amado como se ama o sol: inevitável, incontestável, ofuscante. Convencido de que brilhava por mérito próprio, era conhecido como Sua Luminosidade — apelido que ele próprio inventara e repetia com modéstia ensaiada.

Morava em um palácio de mármore que se erguia acima da capital. Nos jardins, pássaros coloridos piavam hinos à sua grandeza, enquanto palmeiras balançavam em sua homenagem, ao som de ventos quentes. Nos salões, espelhos dourados multiplicavam a imagem real até parecer que o reino tinha vários sóis, todos com a mesma barba aparada e a mesma coroa reluzente.

Enquanto o monarca banqueteava iguarias importadas de terras longínquas, o povo pagava tributos cada vez maiores. De tempos em tempos, era convocado a aplaudir. E aplaudia — uns por hábito, outros por medo. O rei confundia o som das palmas com amor genuíno. “Vede como me adoram!”, dizia do alto da sacada, enquanto os súditos, lá embaixo, abanavam-se com boletos.

Um dia, ao acordar de um sonho onde desfilava sobre nuvens e tomado por uma inspiração que julgou divina, o rei teve uma ideia brilhante: encomendar um grandioso desfile de Carnaval em sua homenagem. "Será o maior espetáculo da História!", proclamou. "Eu serei o enredo vivo, e minha rainha sairá como destaque, sambando na cara de todo o reinado!"

Convocou então seus ministros — homens de fala macia e espinhas flexíveis — e anunciou:— Faremos o maior desfile de Carnaval que este reino já viu. E será em minha homenagem!

Tão vaidosos quanto o rei, e sendo........

© Gazeta do Povo