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No Brasil, os impostos são uma forma de dízimo

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19.06.2026

Concluí meu último artigo,“Fuga para o Paraguai”, citando o “dízimo” da carga tributária, e a imagem ficou na minha cabeça. Ela merece mais reflexão.

Existe uma diferença entre pagar impostos em países desenvolvidos e pagar impostos no Brasil. Em países onde o Estado entrega segurança, infraestrutura eficiente, saúde pública e outros serviços de qualidade compatível com o valor arrecadado, os impostos fazem parte de um pacto social. O cidadão entrega uma parcela de sua renda e recebe algo concreto em troca. 

No Brasil a sensação é outra. Aqui, os impostos se parecem menos com um contrato entre o contribuinte e o Estado e mais com uma espécie de dízimo obrigatório – um tributo quase religioso pago a uma estrutura gigantesca, opaca e insaciável.

A comparação com o dízimo não é exagero retórico. A lógica do nosso sistema tributário é profundamente baseada na fé. O brasileiro deve crer na promessa de que os recursos serão bem utilizados, de que os serviços públicos irão melhorar, de que o sacrifício financeiro individual é necessário para financiar o bem comum. Mas a experiência cotidiana desmente diariamente essa crença.

No Brasil, os........

© Gazeta do Povo