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As finanças verdes e a crise do Estado

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14.04.2026

Na coluna anterior, comentei algumas repercussões da guerra dos EUA e Israel contra o Irã para a economia brasileira, com ênfase no setor agropecuário, destacando a dependência nacional das importações de insumos cruciais, como diesel, querosene de aviação, fertilizantes e defensivos agrícolas.

Como já havia ocorrido durante a pandemia de Covid-19, o virtual bloqueio do Estreito de Ormuz, onde, em tempos normais, trafegam entre 20% e 30% do petróleo, gás natural, ureia, enxofre e hélio consumidos no planeta, evidencia as grandes vulnerabilidades da financeirização das economias, ensejada pela globalização iniciada na década de 1990, principalmente a precariedade das cadeias internacionais de suprimentos, bastante sensíveis a quaisquer interrupções ou gargalos fora da “normalidade”.

No Brasil, a adoção acrítica da cartilha ideológica da globalização, controlada pela alta finança internacional, foi uma decisão estratégica das elites dirigentes da época, refletida em uma emblemática entrevista do então presidente Fernando Henrique Cardoso à Folha de S. Paulo, de 13 de outubro de 1996. Nela, ele admitiu que o seu governo estava “rearticulando o sistema produtivo do Brasil... dando possibilidade a que os setores mais avançados do capitalismo tenham prevalência”, em prejuízo das classes médias, “que ficaram desligadas desses processos”.

Evidentemente, não foram apenas........

© Gazeta do Povo