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Quando a coisa aperta, os aiatolás se fantasiam de persas

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09.04.2026

Toda vez que o regime iraniano se vê acuado, ele recorre a um expediente antigo e eficaz: deixa de falar como ditadura revolucionária e passa a falar como “civilização”. Não é por acaso. A palavra serve para confundir o observador estrangeiro e sugerir que qualquer pressão militar, econômica ou diplomática contra a República Islâmica seria, na verdade, um ataque contra milênios de história. A própria retórica oficial do sistema fala abertamente na construção de uma “nova civilização islâmica”, enquanto autoridades do regime também mobilizam, quando convém, a linguagem da “civilização persa”.

O Irã de hoje não é a continuação política da Pérsia antiga. Muito pelo contrário: é a mais pura negação de uma história longínqua e intencionalmente empoeirada. O Irã é uma teocracia surgida da Revolução de 1979, organizado a partir de uma doutrina islâmica xiita e sob o velayat-e faqih, a tutela do jurista islâmico. O líder supremo, como eles gostam de chamar por lá. Em termos simples: a legitimidade do regime não vem de Ciro, de Dario, de Persépolis ou da memória imperial persa, que não passa de ruínas e peças de museu.

O Irã atual é um produto da interpretação de seu fundador, o extremista Ruhollah Khomeini, segundo a qual o governo justo deve ser supervisionado por um clérigo xiita investido de autoridade........

© Gazeta do Povo