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O acordo que a Venezuela precisa, mas que ninguém soube explicar

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03.09.2026

Há um erro de sequência na crítica ao novo acordo petrolífero entre Estados Unidos e Venezuela. Parte da oposição reage como se o problema central fosse quem ocupa Miraflores ou quem teria maior legitimidade para assinar contratos. Isso importa. Mas não é o problema mais urgente. Em termos funcionais, a Venezuela é um Estado falido: perdeu capacidade de governar, financiar-se e oferecer previsibilidade. Sendo assim, não existe reconstrução democrática sem alicerces mínimos. Não há como falar em perda de soberania onde a soberania não existe há tempos.

O chavismo recebeu uma potência energética e entregou um sistema industrial devastado. Quando Hugo Chávez chegou ao poder, no fim dos anos 1990, a Venezuela produzia mais de 3 milhões de barris por dia. Produzia. O país entrou em uma espiral decrescente e nunca voltou ao patamar herdado. Em agosto de 2020, caiu para cerca de 360 mil barris diários, o menor nível registrado desde 1943. Um país sentado sobre as maiores reservas provadas do mundo empurrou sua produção para níveis dos primórdios da indústria petrolífera.

Isso ocorreu por destruição de capacidade: politização da estatal de petróleo PDVSA, expulsão de quadros técnicos, expropriações, falta de manutenção, desinvestimento, corrupção e colapso operacional. Somente em janeiro deste ano, a produção voltou a superar 1 milhão de barris (um terço do que era produzido antes do chavismo).

O acordo anunciado por Washington envolve dezessete campos e cerca de 65 bilhões de barris de........

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