A falsa neutralidade da turma do voto nulo
Com a polarização política cristalizada no país e a inexistência de um candidato da “terceira via” competitivo, a pregação em defesa do voto nulo num provável segundo turno entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro vem ganhando força entre os “isentões” nas últimas semanas.
Fazem parte do grupo integrantes do tal “centro democrático”, tucanos de variadas plumagens, os autodenominados “liberais progressistas” da esquerda envergonhada e até a chamada “direita limpinha”, que pretendem pairar acima da “polarização tóxica” que assola o país. O pessoal do MBL, de Renan Santos, líder do movimento e candidato à presidência pelo partido Missão, que ele mesmo fundou, também reza pela mesma cartilha.
Sob a justificativa de que Lula e Flávio são farinha do mesmo saco, de que ambos são líderes populistas, envolvidos direta ou indiretamente em malfeitos de todos os tipos, e de que vão transformar o Brasil, de um jeito ou de outro, numa autocracia, a turma do nem-nem se coloca como se fosse uma espécie de “reserva moral” da nação, que não “suja” as mãos dando seu aval a um dos polos da disputa.
“Desejo tudo do pior pra eles. Vou ser oposição e espero que tenha muita crise pra eles”, afirmou Renan recentemente, resumindo o sentimento de uma parcela considerável da isentolândia, ao revelar que não pretende recomendar voto nem em Lula nem em Flávio, se eles confirmarem a participação no segundo turno, como mostram todas as pesquisas.Tido como um representante da direita – ou da centro-direita – e como um antipetista de carteirinha, ele se recusa a apoiar Flávio, ainda que isso possa levar Lula à vitória, como aconteceu em 2022, quando o adversário do petista era Jair Bolsonaro e ele e seus aliados já pregavam o voto nulo, que acabou tirando votos preciosos do ex-presidente.
“Eu quero que o Flávio seja preso! Se eu ganhar a eleição, vou prender o Flávio. Eu não quero sair na rua com ele”, acrescentou Renan, ao comentar sua recusa em participar das manifestações de sete de setembro ao lado do primogênito de Bolsonaro e candidato ao Planalto pelo PL.
Ao contrário do que pode........
