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Benefício social não compra consciência: a estatística “milagrosa” do lulopetismo

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14.02.2026

Uns mentem por maldade. Outros mentem por ignorância. Ainda há aquele que “mente que nem sente”. Mas, quando o assunto é a arrogância de esquerda com relação ao fenômeno religioso evangélico, os mentirosos têm algo em comum: um fervor pedagógico, como quem acredita que o povo precisa ser “educado” com números inventados, porque os verdadeiros não os ajudam a salvar a mentir.., ops, a “tese”.

Foi mais ou menos isso que apareceu quando Lula, e o lulopetismo ao seu redor, resolveu flertar com a ideia de que “90% dos evangélicos usam benefícios do governo” e, portanto, o PT deveria “ir falar com eles” e “combater fake news”. A cara de pau, aqui, não está só na estatística. Está na visão de mundo por trás dela: se a maioria “depende”, então a maioria “deve”. É o velho catecismo do poder, só que sem Bíblia e com planilha.

Vamos começar pelo básico, porque respeitamos o leitor. Noventa por cento é um número indecente. Não é “alto”, é indecente. É o tipo de cifra que não erra por pouco, erra por essência. Mesmo usando estimativas generosas sobre lares assistidos, e lembrando que o “benefício” é do domicílio, e não um crachá espiritual colado na testa de cada morador, você não chega perto disso.

O número realista é outro, bem mais modesto, mais humano e compatível com o Brasil que existe: algo como três em cada dez evangélicos vivendo em lares assistidos por programas sociais. Trinta por cento, com folga conservadora, já é suficiente para dizer que a igreja evangélica está profundamente enraizada nas camadas populares. Mas não, o lulopetismo precisa de 90%, porque 30% não dá para usar como chicote moral, dá só para fazer diagnóstico social. E diagnóstico social não rende palanque.

O lulopetismo parece incapaz de entender o fenômeno evangélico porque parte de uma antropologia errada

O lulopetismo parece incapaz de entender o fenômeno evangélico porque parte de uma antropologia errada

Uma reportagem do UOL traz o roteiro desse novo capítulo da aproximação petista com o segmento evangélico. O PT teria decidido “chegar às bases”, “conversar com as pessoas” e, claro, “desfazer fake news”. O líder setorial afirma que não veremos Lula “se batizar no Rio........

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