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A oração da serenidade política

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27.06.2026

O Brasil entra em mais um ciclo eleitoral sob a velha tentação de sempre: esperar da política aquilo que somente uma alma bem ordenada pode oferecer. A cada eleição, somos convidados a acreditar que a salvação da pátria caberá em uma urna, que a derrota do adversário curará nossas angústias e que a vitória do nosso lado finalmente colocará ordem no caos. É compreensível. Povos cansados procuram atalhos. Sociedades aflitas desejam redenções rápidas. Mas uma civilização madura precisa aprender a distinguir esperança de idolatria.

Talvez o Brasil precise, neste momento, de uma espécie de oração da serenidade política. Serenidade para reconhecer que a política tem limites. Coragem para agir quando a consciência exige responsabilidade. Sabedoria para não confundir o Reino de Deus com os reinos deste mundo.

Essa serenidade não é indiferença. O cristão não é chamado a assistir à história da arquibancada, como se a vida pública fosse assunto menor. A fé cristã fala de justiça, verdade, dignidade humana, família, trabalho, pobres, liberdade, perdão, responsabilidade e esperança. Seria artificial imaginar que uma fé que pretende iluminar a vida inteira de uma pessoa nada tenha a dizer sobre a vida em comum.

A fé não é um adereço íntimo, guardado em uma gaveta da subjetividade. Ela é uma forma profunda de apreensão da realidade. O ser humano não compreende a vida apenas por estatísticas, leis, interesses econômicos ou estratégias de poder. Ele também compreende a vida pelo sentido, pela memória, pela gratidão, pela culpa, pelo arrependimento, pela promessa, pelo amor e pela esperança. Em uma palavra: pela transcendência.

Temos de pedir serenidade para reconhecer que a política tem limites. Coragem para agir quando a consciência exige responsabilidade. E sabedoria para não confundir o Reino de Deus com os reinos deste........

© Gazeta do Povo