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“Moby Dick” e o terror do sagrado

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11.06.2026

O romance Moby Dick ocupa um lugar singular na literatura ocidental. Muito mais do que uma narrativa sobre a perseguição de uma baleia, a obra-prima de Herman Melville é uma profunda investigação sobre a condição humana, o mal, a providência, os limites do conhecimento e o confronto da criatura com aquilo que a transcende. Em suas páginas convivem aventura marítima, reflexão filosófica, simbolismo bíblico e questionamentos teológicos que continuam a desafiar leitores mais de um século e meio após sua publicação.

No artigo a seguir, o pastor Alan Rennê Alexandrino Lima conduz o leitor a um dos capítulos mais fascinantes do romance, “A brancura do cachalote”, mostrando como a estranha ambiguidade da cor branca pode servir de ponto de partida para refletirmos sobre a santidade de Deus, sua incompreensibilidade e a tendência humana de resistir a tudo aquilo que não consegue controlar. Pastor da Igreja Presbiteriana do Cruzeiro do Anil, em São Luís (MA), Alan é bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico do Nordeste e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de mestre em Estudos Histórico-Teológicos pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Com sensibilidade pastoral, ele nos ajuda a enxergar, nas profundezas de Moby Dick, ecos de verdades que as Escrituras proclamam com clareza.

“A brancura do cachalote”: santidade, mistério e a rebelião da criatura

O capítulo mais teológico de Moby Dick

O capítulo 42 de Moby Dick, intitulado “A brancura do cachalote”, é uma das passagens mais profundas e filosoficamente densas de toda a literatura americana. À primeira vista, o capítulo parece uma longa digressão. A narrativa praticamente para, e Herman Melville, dando voz a Ismael, passa a refletir sobre um único tema: por que a brancura de Moby Dick produz um terror tão singular? Por que a cor que normalmente associamos à pureza, à beleza, à inocência e à glória pode também despertar medo, inquietação e até horror?

“O que me atemorizava sobretudo era a brancura do cachalote”.“Portanto, deduz-se de tudo isso que embora seja possível tomar a brancura em seus aspectos distintos, para representar tudo o que há de grande e gracioso, também é certo – e ninguém o poderia negar – que o branco, em sua significação ideológica mais recôndita, evoca à alma fantasmas extraordinários”.“Porém não resolvemos ainda o problema da magia da cor branca nem descobrimos por que razão ela atrai a alma com tal força, e o que é ainda mais estranho e prodigioso, por que razão é ao mesmo tempo o símbolo das coisas espirituais, o verdadeiro véu da divindade cristã e, contudo, é o agente que dá maior relevo às coisas que mais atemorizam a humanidade.”

Por que a cor que normalmente associamos à pureza, à beleza, à inocência e à glória pode também despertar medo,........

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