Cobram de André Mendonça a laicidade que a Constituição impõe ao Estado
Sou católico e dou aula em um colégio presbiteriano. André Mendonça é presbiteriano. Se a defesa que vou fazer dele viesse daí, não valeria a tinta, porque quem defende irmão de fé apenas confirma o parentesco. Faria a mesma defesa de um vídeo gravado por ministro de quem não gosto, com exceção de Flávio Dino e Alexandre de Moraes – porque, afinal, tudo nessa vida tem limites.
O vídeo dura meio minuto. Mendonça, que é pastor, dirige-se aos fiéis para agradecer as mensagens de oração que recebeu, diz que as preces têm sustentado a ele e à família, e pede que Deus abençoe o país. Não houve sessão, toga, brasão nem versículo em fundamentação de voto. Repare no verbo, porque metade da indignação circulou com ele trocado: não pediu orações; agradeceu as que já haviam chegado.
A objeção veio em muitas versões. A mais bem escrita que li, de um advogado no X, dizia que o Estado brasileiro não é ateu, mas laico; que deve ser neutro diante das religiões e garantir a liberdade de crença a todos, “de modo que não cabe a um representante do Estado, de qualquer dos poderes, violá-la”.
Que nenhum representante de poder possa violar a laicidade é uma verdade que se abraça sem discussão. Faltou provarem que agradecer orações num vídeo pessoal viola essa laicidade
Que nenhum representante de poder possa violar a laicidade é uma verdade que se abraça sem discussão. Faltou provarem que agradecer orações num vídeo pessoal viola essa laicidade
A frase se desmente antes de terminar. O “de modo que” promete uma inferência e entrega uma tautologia: que nenhum representante de poder possa violar a........
