O Brasil teve seu J.R.R. Tolkien e você nem ficou sabendo
Gerardo Mello Mourão. Sim, é ele o nosso Tolkien. Não há como discordar desta afirmação depois de ler Apolo Cantador de Feira, de Alexandre Sugamosto, publicado pela editora Sator.
Certamente o leitor conhece o autor de O Senhor dos Anéis, mas é provável que nunca tenha ouvido falar de Mourão. Isso não diz nada do autor de Os Peãs – obra analisada no livro de Sugamosto –, apenas muito do que nós, brasileiros, fazemos com nossos gênios.
Ainda mais quando descobrimos que o poeta ganhou o Prêmio Jabuti em 1999, foi indicado ao Prêmio Nobel em 1979 e elogiado por diversos de seus pares, como Drummond, Ezra Pound, Robert Graves. Mesmo assim, é praticamente um anônimo, ignorado até no meio literário. É espantoso. É desse espanto que nasceu o precioso trabalho de Sugamosto.
O autor traz a vida, obra e visão de mundo de Mourão, base necessária para sua análise preciosa da epopeia Os Peãs, uma trilogia que começou com O País dos Mourões (1963), em que o poeta parte de suas raízes familiares. Segue com Peripécias de Gerardo (1972), que lhe rendeu o Prêmio Mário de Andrade da APCA em 1972, explorando a jornada e as andanças do eu lírico, e encerra com Rastro de Apolo (1977), no qual integrou a mitologia clássica na alma brasileira.
Mourão é o nosso Tolkien. Não há como........
