menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O PL da Misoginia e a misandria institucional

6 0
26.03.2026

Deem uma vasculhada nas livrarias virtuais. É espantoso o crescimento no número de títulos voltados ao público conhecido como Red Pill ou MGTOW (“Men Going Their Own Way”). Trata-se de um público masculino que habita um ecossistema de fóruns, blogs, perfis de redes sociais e canais na internet conhecido como “manosphere”, e se caracteriza pela crítica às idealizações românticas referentes ao relacionamento com mulheres – representadas de maneira invariavelmente negativa, como manipuladoras, interesseiras e inimigas dos homens. Dentro dessa cosmovisão geral hostil ao sexo feminino, há alguma heterogeneidade interna à tribo, que vai desde aqueles homens (em geral, jovens) que buscam se afastar de todo contato com as mulheres até aqueles que, ao contrário, veem as mulheres como meros troféus de caça, e buscam agir sempre em relação a elas da mesma maneira manipuladora e calculista que imaginam ser o modus operandi feminino.

Por óbvio, a cosmovisão red pill expressa uma concepção funesta dos relacionamentos humanos e uma avaliação distorcida das mulheres. Mas trata-se apenas de um efeito – uma reação desordenada à percepção de um problema que, todavia, é real, e consiste possivelmente na maior patologia sociocultural do nosso tempo: a guerra à masculinidade promovida pelas elites culturais e políticas do Ocidente, e que poderíamos glosar como uma misandria institucionalizada.

Antes que – como um sintoma dessa mesma guerra – alguém lance a previsível objeção de que a misandria institucionalizada não existe, e que essa ideia só poderia provir da mente de um homem (logo, de alguém estruturalmente misógino), convém lembrar o seguinte: já há alguns anos que o fenômeno vem sendo detectado principalmente por intelectuais mulheres, muitas delas egressas ou dissidentes do movimento feminista. Entre os nomes de destaque, poderíamos citar os de Christina Hoff Sommers, Camille Paglia, Suzanne Venker, Debra Soh, Janice Fiamengo e Helen Smith.

O PL da Misoginia reflete a a guerra à masculinidade promovida pelas elites culturais e políticas do Ocidente

O PL da Misoginia reflete a a guerra à masculinidade promovida pelas elites culturais e políticas do........

© Gazeta do Povo