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STF: poder versus autoridade

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02.02.2026

Poder não é sinônimo de autoridade. Poder pode ser imposto. Autoridade, não. Ela é construída lentamente; nasce da coerência moral, do respeito à lei, da fidelidade às próprias decisões e da confiança pública. Quando o poder se distancia da autoridade, instala-se um desequilíbrio perigoso. E esse descompasso cobra seu preço: a erosão da credibilidade institucional.

O Supremo Tribunal Federal detém enorme poder. Trata-se da instância máxima do Judiciário, guardiã da Constituição e árbitra final dos conflitos institucionais. Seu peso é indiscutível. O problema não está no poder que exerce, mas na autoridade que progressivamente vem perdendo. E autoridade não se decreta: ou se conquista - ou se perde.

A crise que hoje envolve o STF não é fruto de ataques externos nem de campanhas orquestradas. Ela nasce, sobretudo, de dentro. Decorre de decisões controversas, de excessos de protagonismo, de interpretações elásticas da Constituição e da crescente percepção de que a Corte abandonou a discrição para ocupar o centro do palco político. Quando juízes passam a agir como atores políticos, a toga perde peso simbólico.

O noticiário recente reacende esse debate sensível. A revelação de um contrato milionário firmado pelo escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o banco Master e a posterior decisão do ministro Dias Toffoli de avocar o........

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