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Socialismo na América: wokismo vs. pão com manteiga?

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Há quase cem anos terminava o mandato do último congressista do Partido Socialista da América. Agora, há quem argumente que os socialistas estão na disputa pelo poder político. No entanto, as décadas em que estiveram à margem da política americana mainstream – consequência da geopolítica do século passado e do seu aproveitamento, enquanto os seus congéneres do outro lado do Atlântico estavam em ascensão – influenciaram um movimento que é, hoje, difícil de interpretar pelos europeus. Tendo em conta a sua importância recente, se o quisermos compreender, é imperativo conhecer a sua história e os seus dilemas centrais.

O primeiro passo necessário é distinguir progressistas de socialistas. No século passado os sistemas partidários europeus mudaram fundamentalmente: à esquerda, os socialistas substituíram os liberais, acabando frequentemente os segundos por se fundir com os conservadores. Na América, tudo se manteve na mesma, isto é, o socialismo nunca foi popular, tanto devido aos red scares, em que se confundiram socialistas com espiões soviéticos, como a caraterísticas internas do movimento norte-americano. Se os líderes da esquerda europeia eram socialistas, os líderes da esquerda americana eram liberais ou, um pouco mais tarde, progressistas: os irmãos Kennedy e Michael Harrington (provavelmente o mais notável socialista americano da segunda metade do século passado) não estavam assim tão politicamente distantes, no entanto, o facto dos primeiros serem liberais (hoje diríamos........

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