As canetas que fazem emagrecer e o que isso diz sobre nós
Nos últimos dois anos, algo mudou silenciosamente à nossa volta. Amigos, colegas, conhecidos surgem de repente visivelmente mais magros. Não há dieta nova, nem novo ginásio. Há uma caneta de injeção no frigorífico e um nome que circula em voz baixa: semaglutida. Ozempic. Wegovy.
Não estou aqui para demonizar estes medicamentos. Para doentes com diabetes tipo 2 ou obesidade grave, os agonistas do GLP-1 representam um avanço terapêutico genuíno, com evidência robusta de benefício cardiovascular e metabólico. A medicina deve celebrá-los por isso. O que me preocupa é outra coisa.
Um estudo publicado esta semana no JAMA Psychiatry revela que, numa amostra de pessoas com perturbações do comportamento alimentar, 32% relataram uso destes medicamentos - acima dos 15% da população geral - e 10% relataram uso indevido: doses alteradas, partilha sem prescrição, produtos de qualidade desconhecida obtidos sem qualquer supervisão médica. Pessoas com anorexia ou bulimia a usar fármacos supressores do apetite para alimentar a sua própria doença.
Mas as pessoas com perturbações do comportamento alimentar são apenas a ponta do icebergue. Na minha prática clínica, ouço com frequência crescente relatos de pessoas saudáveis, sem obesidade nem diabetes, a usar estes medicamentos para "perder uns quilos" ou "evitar engordar". Para........
