A lição de Portugal nos oceanos
Hoje é o Dia de Portugal. É um dia para celebrar uma nação cuja identidade foi sempre moldada pelo mar. Das nossas costas à nossa gastronomia, dos nossos portos às nossas comunidades insulares, o oceano não faz apenas parte da nossa economia, faz parte daquilo que somos.
Em nenhum lugar esta ligação é mais evidente do que nos Açores, de onde sou natural.
Ali, o oceano não é uma ideia abstrata nem um espaço num mapa. É o nosso meio de subsistência, a nossa história e uma responsabilidade partilhada. Nós, açorianos, compreendemos algo que a União Europeia esquece demasiadas vezes: Oceano saudável e comunidades piscatórias prósperas dependem uns dos outros.
É, por isso, que os Açores se tornaram num dos exemplos europeus mais promissores em matéria de governação colaborativa oceânica. Iniciativas como o programa Blue Azores demonstraram que, quando as comunidades locais e os pescadores são tratados como parceiros (e não como obstáculos), a proteção marinha torna-se mais eficaz, mais sustentável e mais amplamente apoiada.
Durante anos, muitos decisores políticos assumiram que as Áreas Marinhas Protegidas (AMP) e as comunidades piscatórias estavam inevitavelmente em conflito. A experiência dos Açores prova exatamente o contrário. Os pescadores são os primeiros a reconhecer a diminuição dos recursos haliêuticos, a degradação dos ecossistemas, os riscos de longo prazo e os riscos associados à falta de ação. Quando lhes é atribuído........
