Não precisamos de mais self-care. Precisamos uns dos outros
O “self-care” popularizou-se na última década: dos media ao entretenimento, às bocas dos nossos terapeutas. “Cuida de ti próprio” e “You can't pour from an empty cup” tornaram-se lugares comuns. Contribuiu para normalizar a doença mental e diminuir o tabu à volta dela. Houve progressos como a criação de políticas públicas focadas na saúde mental, e é comum falar de emoções e terapia. Ainda assim, o tabu persiste e ainda é difícil aceder a cuidados de saúde mental.
Segundo a Global Self-care Federation, self-care é “a prática de os indivíduos cuidarem da sua própria saúde, utilizando a informação disponível”. Na última década, levou à adoção de hábitos saudáveis como o exercício físico, a alimentação equilibrada, o descanso, e a fundamental psicoterapia, onde aprendemos a regular as nossas emoções. A par disso, emergiu também a valorização do estabelecimento de limites - até onde devemos ir no trabalho ou nas nossas relações, quando dizer “Não.”, de forma a evitar burnout e conflitos nas nossas relações?
Entretanto, o que começou como um importante empoderamento depressa se transformou em algo que se pode comprar. Muitas marcas começaram a vender a ideia de que ter os seus produtos equivale a cuidar de si........
