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A Itália de Meloni: da estabilidade política à reforma estrutural

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07.09.2026

A Itália alcançou algo raro na sua história política contemporânea: um Governo que perdura. A oportunidade, agora, é utilizar essa estabilidade para reforçar a capacidade de ação do Estado.

A 3 de setembro, após 1413 dias em funções⁠, o Governo de Giorgia Meloni tornou-se o executivo italiano com maior longevidade ininterrupta desde a Segunda Guerra Mundial — uma conquista significativa num sistema político historicamente marcado por governos de curta duração. Meloni manteve a coesão da coligação, tranquilizou os mercados e afirmou-se como uma líder europeia com credibilidade internacional. O seu Governo pode também apontar para a criação de mais de um milhão de postos de trabalho, uma taxa de desemprego inferior a 6%, maior disciplina orçamental e uma redução substancial das chegadas irregulares de migrantes. No seu conjunto, são resultados relevantes.

A estabilidade política não é apenas uma conquista. É também o alicerce sobre o qual podem ser construídas reformas de longo prazo.

Nesta perspetiva, a próxima fase do percurso governativo de Meloni será definida pela eficácia com que a estabilidade política for transformada em mudança estrutural.

A economia italiana continua a enfrentar constrangimentos de longa data. O PIB cresceu apenas 0,5% em 2025. O Fundo Monetário Internacional⁠ prevê um crescimento igualmente modesto em 2026 e 2027 e estima o crescimento potencial do país a médio prazo em cerca de 0,6%. A produtividade permanece cronicamente baixa, a dívida pública situava-se em aproximadamente 137% do PIB no final de 2025 e o envelhecimento demográfico continua a limitar as perspetivas económicas do país. Estas condições são muito anteriores ao atual Governo e têm natureza estrutural, não correspondendo a simples flutuações do ciclo económico.

Por que razão se tem revelado tão difícil concretizar uma transformação estrutural, mesmo durante um período de invulgar estabilidade política?

A resposta reside, em parte, na natureza do sistema administrativo italiano.

A Itália é uma democracia sólida. A sua vida económica e administrativa é, contudo, moldada por uma densa cultura de procedimentos: um sistema acumulado de normas, exceções, autorizações e competências sobrepostas que sobrevive às mudanças de Governo.

A dificuldade é sistémica, não intencional. Resulta da interação entre instituições cujas competências e procedimentos frequentemente se sobrepõem.

A autoridade encontra-se distribuída por ministérios, regiões, municípios, entidades reguladoras, tribunais, organismos públicos e ordens profissionais. Um único investimento pode ter de passar por várias instituições, cada uma com autoridade parcial, enquanto a responsabilidade pela........

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