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Uma República sem Netanyahu

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Israel aproxima-se das eleições de 2026 com uma pergunta que ultrapassa largamente o destino político de Benjamin Netanyahu. Depois de quase três anos marcados pela guerra, pela mobilização permanente, da Palestina ao Líbano, o país prepara-se para avaliar não apenas um governo, mas uma forma de exercer o poder. O que estará em causa não será apenas quem lidera Israel, mas a própria capacidade do Estado para regressar a uma lógica política depois de um longo período dominado exclusivamente pela lógica militar.

À primeira vista, o cenário é familiar. Netanyahu continua no centro da vida pública israelita, apoiado numa capacidade rara de sobreviver a crises que, repetidamente, pareciam anunciar o seu fim. A oposição tenta, mais uma vez, transformar o descontentamento em alternativa. Os pequenos partidos procuram espaço num sistema que depende de coligações. Contudo, por detrás desta coreografia conhecida, ocorreu uma transformação inegável. As diferenças estratégicas entre os principais protagonistas tornaram-se mais estreitas precisamente no momento em que a linguagem política se tornou mais agressiva.

Durante décadas, terá existido uma oposição entre “falcões” e “pombas”. Essa distinção perdeu grande parte da sua pertinência. Depois de 7 de outubro, menos dos que deviam distinguem entre Irão, Hamas ou Hezbollah e os iranianos, palestinianos e libaneses. A questão deixou de ser se Israel deve agir com dureza e passou a ser se essa dureza produz resultados políticos reconhecíveis. O centro da disputa deslocou-se da necessidade da guerra para a sua eficácia.

É aqui que surge o verdadeiro paradoxo destas eleições. Os adversários de Netanyahu não se apresentam como pacifistas, pelo contrário. Variam no estilo, na gramática, na forma como gerem a pressão internacional e internalizam os custos de reputação. Mas defendem uma mesma visão estratégica, não uma mudança de trajetória. As linhas fundamentais permanecem ancoradas em dinâmicas estruturais que não se modificarão com a alternância no poder.

Netanyahu move-se com uma agilidade política que lhe é já característica. Tal como nos Acordos de Oslo, a confrontação com o........

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