Ganhar a guerra e perder a paz no Médio Oriente
A guerra terminou, mas a paz continua sem forma definida. O memorando assinado por Washington e Teerão não resolve a crise que conduziu ao conflito, mas talvez venha a alterar a sua natureza. Durante meses, o discurso americano foi construído em torno da degradação irreversível do poder iraniano. No momento decisivo, porém, os objetivos encolheram. A prioridade deixou de ser a derrota estratégica da República Islâmica e passou a ser a reabertura do estreito de Ormuz e o regresso à mesa das negociações nucleares em Bürgenstock. Em troca, os Estados Unidos admitem um levantamento gradual das sanções, o desbloqueio de ativos e a possibilidade de reintegrar o Irão na economia internacional através do investimento externo.
Essa mudança diz tanto sobre Washington como sobre Teerão. O Irão perdeu infraestruturas militares, sofreu danos significativos na sua capacidade defensiva e assistiu à morte do líder supremo. Ainda assim, o regime não colapsou. A cadeia de comando manteve-se operacional, a estrutura política absorveu o choque e a sucessão decorreu sem rutura institucional. Israel e os Estados Unidos ficaram longe de produzir a transformação política que muitos antecipavam no início da campanha militar. O resultado foi o reconhecimento mútuo dos limites da força.
Entre os principais pontos acordados na Suíça constarão, consoante a versão de cada uma das partes, um período de 60 dias para as exportações iranianas de petróleo a preços de mercado, a criação de uma linha de comunicação para garantir a segurança da navegação no estreito de Ormuz, o desbloqueio de 12 mil milhões de dólares em ativos iranianos e um mecanismo de monitorização para o Líbano, envolvendo os Estados Unidos, o Líbano, o Paquistão, o Qatar e o Irão, que consolidaria a influência indireta iraniana sobre o norte de Israel.
Persistem, contudo, dúvidas sobre o programa nuclear, em particular quanto ao acesso dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica, enquanto Israel continua sob pressão, com Gadi Eisenkot a ganhar terreno nas sondagens e Benjamin Netanyahu a manter a........
