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A santa padroeira da Europa?

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12.08.2026

Há uma forma particularmente confortável de escrever sobre Giorgia Meloni: decidir primeiro que ela é uma grande política e procurar depois os episódios que confirmem a conclusão. A crise de Ceuta presta-se admiravelmente ao exercício. Meloni surge como a primeira a reagir, a mulher que inspirou os vinte e um chefes de Estado ou de Governo, a única que teve coragem de “mexer” em Schengen e que, perante Pedro Sánchez, não pestanejou. A Europa teria finalmente encontrado alguém disposto a bater o pé. É uma narrativa sedutora porque tem uma heroína, um adversário, uma ameaça externa e uma lição de carácter. Falta-lhe apenas demonstrar que a história aconteceu exatamente assim.

Dizer que Meloni foi importante na reação europeia é evidente. Dizer que foi “a mais importante figura política da Europa” já é outra coisa. Importante segundo quê? Poder económico, influência institucional, capacidade diplomática ou peso eleitoral? A frase não pretende medir nada. Serve para colocar a personagem no pedestal. O mesmo acontece com a carta dos líderes europeus, alheia ao Tratado de Funcionamento da UE que tantas vezes invocam quando outros temas estão sobre a mesa. Meloni pode ter contribuído para a sua articulação, mas estão em causa diferentes visões da Europa que envolvem Espanha, Itália, o Norte, o Sul, a Comissão, o Partido Popular Europeu de Manfred Weber e interesses migratórios diferentes.

Sánchez surge como o político que precisa de uma narrativa. Meloni como a política que tem uma razão. O que num é convicção, no outro passa a ser cálculo. O que num é coragem, no outro é teatro. Mas Meloni não precisa de ser transformada em heroína para ser uma política relevante. A sua força torna-se mais interessante quando olhamos para aquilo que efetivamente defende.

A infância difícil, a ausência do pai, as dificuldades económicas e a entrada na política aos quinze anos ajudam certamente a compreender a imagem que construiu de si própria. Mas uma autobiografia não é um certificado de autenticidade. Um político escolhe os episódios que recorda e atribui significado ao passado. Quando Meloni conta a história da adolescente que entrou no Movimento Social Italiano por instinto, está a falar da jovem Meloni, mas também da mulher adulta que quer que conheçamos. Uma experiência pessoal pode explicar uma convicção. Não........

© Expresso