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Donald Trump, O Leoparvo

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11.03.2026

Na segunda-feira, Donald Trump revelou à CBS News que a guerra "está praticamente completa", horas depois de o seu Secretário de Defesa, Peter Hegseth, ter dito que os Estados Unidos estavam "apenas no início" da intervenção no Irão. Numa conferência de imprensa contraditória, Trump esclareceu que a guerra estava "ganha", mas não "ganha o suficiente". É o pior anúncio do fim de um conflito armado de sempre. Estamos na presença de um cabeça de Versalhes chocho.

No romance de Tomasi de Lampedusa, Tancredi Palmeri afirma que "Se queremos que tudo fique na mesma, é preciso que tudo mude". Frequentemente, a frase é mal citada: "É preciso que algo mude, para que tudo fique na mesma". Esta deturpação não descreve a tentativa de adaptação da aristocracia siciliana ao Risorgimento, mas sim a atual política externa dos Estados Unidos da América sob Donald Trump. Não é O Leopardo, é O Leoparvo.

É que as mudanças de regime operadas por Trump não são bem mudanças de regime. Prometeu libertar o Irão da teocracia - o novo líder supremo do Irão continua a ser um aiatola, filho do aiatola que foi eliminado. Prometeu libertar a venezuela do socialismo - acaba de reconhecer o governo da ex-vice-presidente de Maduro. Donald Trump faz guerra como quem faz dieta: em janeiro, anuncia-se uma alteração de regime. Falhou? Não interessa. Em fevereiro, nova alteração de regime. Falhou? Não interessa. E vai ser assim até ao Verão. Ou até às midterms. O único problema é que, nesta dieta de Trump, quem fica mais magro somos nós.

Os preços dos combustíveis vão voltar a subir para a semana. Tendo em conta a situação dramática que se vai viver nos próximos meses, é improvável que os carros portugueses bebam mais que os donos. Tudo porque Donald Trump tem apanhado borracheiras de intervencionismo. O resto do Mundo que lide com a ressaca. No meio disto, o líder do Chega encontra-se na difícil situação de ter de lamentar a subida do custo de vida dos portugueses e de, ao mesmo tempo, não arreliar o amigo. Não condena a intervenção dos Estados Unidos, mas quer que o Governo corte mais nos impostos sobre os combustíveis. André Ventura quer que todos paguemos a guerra do seu compincha: pretende simultaneamente patrocinar golpes de Estado e que o Estado patrocine a Galp.


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