A defesa da Europa exige (muito) mais que investimento
Os desenvolvimentos dos últimos meses no Médio Oriente confirmaram uma realidade: a segurança voltou ao centro da agenda europeia. Ainda que este conflito tenha uma geografia própria, os seus efeitos estendem-se à Europa e continuarão a fazer-se sentir após o seu término, com impacto direto na energia, nas cadeias de abastecimento e no equilíbrio estratégico global. A defesa deixou de ser um dado adquirido ou um tema setorial. É hoje um desafio – e uma oportunidade – económica, industrial e de soberania que a Europa tem de enfrentar.
Nos últimos anos, os países europeus assumiram compromissos claros para reforçar o investimento em defesa. A despesa poderá aproximar-se dos 800 mil milhões de euros até ao final da década e representar cerca de 3,5% do PIB europeu em 2035. Existe consenso quanto à escala e direção. O desafio está no foco e na execução.
A Europa enfrenta um "nó estrutural" que condiciona esta transformação que tem por base seis elementos: priorização, modelo de aquisição, capacidade industrial, capital, modelo de inovação e expertise. O desafio começa na dificuldade em definir prioridades num contexto de rápida evolução tecnológica, onde sistemas autónomos, drones e inteligência artificial estão a alterar o campo de batalha. Soma-se a isto um modelo de aquisição........
