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Desarmar a IA e o fim da guerra justa: a encíclica de Leão XIV

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26.05.2026

Conhece o robô de 130 cm chamado Gabi que foi, recentemente, ordenado monge num templo na Coreia do Sul? Se não conhece, faz mal, mas pode conhecê-lo através deste link. Este robô humanoide, recém-nascido (data de fabricação: 03.03.2026), recebeu há poucas semanas um colar de 108 contas de oração no templo sul-coreano de Jogyesa. Esta é, segundo a ordem de Jogye, a maior denominação budista da Coreia, uma tentativa de travar a falta de participação religiosa e de interesse pelo templo, em especial por parte da população mais jovem.

De facto, nada grita mais que o mundo está a mudar, se é que ainda era preciso gritá-lo, do que a ordenação de um robô-monge. Há 135 anos, a Igreja Católica pressentiu o mesmo, quando o Papa Leão XIII publicou a Carta Encíclica Rerum Novarum (‘Das Coisas Novas’), demonstrando a sua preocupação com a questão operária da época, ou seja, um clamor de ação para recuperar operários que pareciam cada vez mais distantes da Igreja.

Ora, se nos finais do século XIX a preocupação era com a possível perda de um grupo populacional das sociedades europeias modernas, agora, com o Papa Leão XIV, a preocupação é com a possível perda de toda a humanidade. A apresentação pública da encíclica Magnifica Humanitas, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da IA (link), pelo próprio Papa – algo bastante incomum – ao lado de especialistas em IA, como o autodeclarado ateu e cofundador da Anthropic, Chris Olah – algo ainda mais incomum – é uma demonstração da aceleração........

© Expresso