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Belém sem estrondo

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António José Seguro tem deixado uma marca curiosa nestes primeiros 6 meses em Belém. Não apenas pelas intervenções que fez, mas pelas que escolheu não fazer. Num contexto em que se espera que o Presidente da República comente tudo e todos, quase em direto, Seguro tem parecido mais interessado em colocar perguntas que continuam a existir quando as manchetes já mudaram.

Na discussão da legislação laboral, por exemplo, quase tudo se resumiu ao habitual sim ou não à proposta do Governo. O Presidente puxou o debate para outro lado: como será o trabalho daqui a dez anos? O que fará a inteligência artificial à relação entre empresas, trabalhadores e emprego? Num país onde ainda há quem ache que a IA serve sobretudo para escrever emails mais depressa, não é exatamente uma pergunta irrelevante.

O episódio que melhor ilustra este método surgiu depois das tempestades do início do ano. Houve diretos, ministros de colete fluorescente, promessas de que ninguém ficaria para trás e drones a sobrevoar a destruição. Depois as câmaras foram embora. As casas........

© Expresso