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Ceuta não é só de Espanha: é um teste a toda a Europa

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19.08.2026

Nos dias 30 e 31 de julho, entre 50 e 60 mil pessoas atravessaram irregularmente a fronteira entre Marrocos e Ceuta, por terra e a nado. Para perceber a dimensão do que aconteceu, basta um número. Ceuta tem cerca de 84 mil habitantes. Em poucas horas, uma cidade recebeu um fluxo de pessoas equivalente a mais de metade da sua população.

A maior parte regressou a Marrocos nos dias seguintes. Milhares permaneceram em território espanhol. Segundo as autoridades espanholas, dezenas de pessoas morreram na travessia, ativistas marroquinos de direitos humanos falam em números bem mais elevados. Seja qual for a contagem exata, vale a pena dizer isto com clareza antes de qualquer outra coisa. Por trás de cada estatística de fronteira há pessoas que morreram a tentar atravessá-la. Um artigo que defende o controlo das fronteiras só é honesto se começar por reconhecer esse custo.

Dito isto, é preciso perceber também como a crise começou. Segundo o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a mobilização foi em larga medida provocada por informação falsa nas redes sociais sobre uma sentença do Supremo Tribunal espanhol, de 8 de julho, que limitava o uso de expulsões sumárias em Ceuta e Melilla sem processo individual. A sentença não abriu a fronteira nem deu a ninguém o direito de permanecer em Espanha. Mas bastou a perceção de que a fronteira estava aberta para que dezenas de milhares de pessoas se movimentassem.

Isto não é um detalhe. É o próprio problema.

Um Estado que não consegue comunicar com clareza o que a lei diz e o que a lei não diz cria o vácuo onde a desinformação prospera. E quando esse vácuo se preenche, quem paga o preço mais alto não é o Estado. É quem atravessa a fronteira a acreditar numa promessa que ninguém fez.

Fisga

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