Maricarmen saiu de maca
Chama-se Maricarmen Abascal e entrou numa casa do Retiro em 1956. O contrato era do pai, passou à mãe, passou à filha. A lei espanhola só deixa a filha ficar para sempre se tiver 65% de incapacidade; senão, dá-lhe dois anos. Maricarmen tem 50% reconhecidos. Em 2018, uma empresa comprou a casa com ela lá dentro. À quarta tentativa, a polícia entrou e ela saiu de maca. No sábado, 25 mil pessoas saíram à rua, segundo as autoridades, e ficaram tendas na Puerta del Sol. Dias depois, o Governo aprovou dois decretos e a empresa ofereceu-lhe oito anos de contrato, com renda até 30% do que recebe.
Cá, teria ainda menos defesa. Desde 2012, o arrendamento antigo só se transmite uma vez, por morte de quem o assinou. Uma Maricarmen portuguesa, em regra, nem teria contrato.
Um país que compra por medo
Olhe à sua volta. O filho de 30 anos que ainda dorme no quarto onde fez os trabalhos da escola e adia a vida à espera de um T1. O casal que se divorciou na primavera e continua a dividir a casa, cada um no seu quarto, à vez na cozinha, porque nenhum dos dois consegue pagar uma renda sozinho. Entretanto, 250 mil casas em bom estado estão vazias e fora do mercado, diz o IHRU. Não faltam casas. Falta quem se atreva a abrir-lhes a........
