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A bala, a faca e o silêncio

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20.08.2026

Segunda-feira, 10 de agosto, seis e meia da tarde. Uma turista sueca compra pastéis de nata numa loja da Rua Augusta, entre centenas de pessoas. A poucos metros, discutem dois grupos que vendem louro prensado a turistas, fingindo que é droga. Alguém saca de uma pistola. A bala falha o rival. Atinge-a a ela.

Quinta-feira, 13. Em Algés, um rapaz de quinze anos alerta a polícia: a mãe está morta em casa há vinte e uma horas. Nesse intervalo, cuidou da irmã de quatro anos e passeou-a de mão dada.

Domingo, 16, meio-dia. No jardim do Cais do Sodré, uma discussão acaba com um jovem de vinte e cinco anos esfaqueado no peito. Funcionários de um quiosque tentam estancar o sangue com roupa. Morre no Hospital de São José.

Sete dias. Três cenas. Meia dúzia de quilómetros. Dias antes, noticiaram-se dois homens baleados de um carro em andamento, em Algueirão-Mem Martins.

O medo e a estatística

Há duas tentações.

O pânico: declarar Lisboa perdida, transformar cada crime em bandeira.

E a estatística: responder às vítimas com percentagens.

Recuso as duas.

Os números devem ser ditos: Portugal é........

© Expresso