A bala, a faca e o silêncio
Segunda-feira, 10 de agosto, seis e meia da tarde. Uma turista sueca compra pastéis de nata numa loja da Rua Augusta, entre centenas de pessoas. A poucos metros, discutem dois grupos que vendem louro prensado a turistas, fingindo que é droga. Alguém saca de uma pistola. A bala falha o rival. Atinge-a a ela.
Quinta-feira, 13. Em Algés, um rapaz de quinze anos alerta a polícia: a mãe está morta em casa há vinte e uma horas. Nesse intervalo, cuidou da irmã de quatro anos e passeou-a de mão dada.
Domingo, 16, meio-dia. No jardim do Cais do Sodré, uma discussão acaba com um jovem de vinte e cinco anos esfaqueado no peito. Funcionários de um quiosque tentam estancar o sangue com roupa. Morre no Hospital de São José.
Sete dias. Três cenas. Meia dúzia de quilómetros. Dias antes, noticiaram-se dois homens baleados de um carro em andamento, em Algueirão-Mem Martins.
O medo e a estatística
Há duas tentações.
O pânico: declarar Lisboa perdida, transformar cada crime em bandeira.
E a estatística: responder às vítimas com percentagens.
Recuso as duas.
Os números devem ser ditos: Portugal é........
