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Paulo Núncio é trans

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23.03.2026

A reversão da lei de identidade de género é uma flagrante violação dos direitos humanos e é, para mim, que o apoiei desde a primeira hora, o primeiro momento claro em que o Presidente da República António José Seguro deverá mostrar que está do lado do humanismo e da Constituição da República Portuguesa, usando o seu veto.

Contra tudo, mas sobretudo contra todos, inclusive contra a presença de uma Ministra da Igualdade (e outras pastas) no Governo, o PSD colocou-se ao lado da direita mais perigosa. Uso a palavra “perigosa” de propósito, porque esta é a direita que despreza a dignidade da pessoa humana e prefere o sofrimento de alguns, que querem apenas ser quem são, apagando-os, empurrando-os para a inexistência ou para a existência clandestina.

Contra os pareceres de quem sabe, contra médicos, psicólogos e cientistas, contra organizações internacionais responsáveis pela saúde e pelos direitos humanos, contra a ONU, contra a OMS, contra a Ordem dos Psicólogos e a Ordem dos Médicos. Mas sobretudo contra as famílias, contra as pessoas, contra os jovens. Em nome de quê? Em nome de si próprios e das suas convicções fundadas apenas em ideologia ou crença.

Paulo Núncio personificou, na Assembleia da República, e nas declarações posteriores, todo o ódio associado a este retrocesso civilizacional. Diz que combate o “wokismo”. Vale a pena lembrar que nunca explica muito bem o que isso é (e curiosamente poucos lho perguntam). Chegámos, em 2026, a um ponto em que afirmar que as mulheres têm direitos iguais aos dos homens e que não podemos observar passivamente a violência de que são vítimas é woke. Em que dizer que dois homens ou duas mulheres não devem ser humilhadas ou agredidos por se amarem é woke. Em que defender que é preciso combater o racismo e a xenofobia, que ainda matam, é woke. Em que explicar que a matança indiscriminada de pessoas, hoje e ao longo da história, apenas porque tinham uma cor de pele diferente, uma orientação sexual diferente, uma língua diferente é woke. Em suma, chegamos, em 2026, ao ponto em que defender direitos humanos fundamentais que,........

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