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Nova arte de parecer mal: anatomia satírica de uma eleição universitária onde todos perderam

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25.06.2026

Há processos eleitorais que dignificam uma universidade. E há processos eleitorais que parecem ter sido desenhados por um comité interdisciplinar de ressentimento institucional, branding anglófono, gestão de danos reputacionais e uma pitada generosa de narcisismo burocrático. A eleição do reitor da Universidade NOVA de Lisboa pertence, infelizmente, à segunda categoria.

Começou como eleição, mas passou rapidamente a novela mexicana. E acabou como case study sobre tudo o que uma universidade moderna diz que não é: opaca na perceção pública, juridicamente trapalhona, comunicacionalmente vaidosa e institucionalmente adolescente. O primeiro ato foi simples. A universidade elegeu o reitor em setembro de 2025. Todos publicaram a notícia, com o tom habitual das comunicações institucionais em que tudo é “nova etapa”, “excelência”, “colaboração global” e “compromisso com o futuro”. Parecia assunto fechado. Não era.

O Tribunal Administrativo veio depois determinar que uma das candidaturas deveria ter sido admitida, apesar de os estatutos da universidade exigirem que o candidato fosse professor catedrático ou investigador coordenador. O tribunal entendeu que essa restrição inovava face ao RJIES e decidiu desaplicar a norma no caso concreto, obrigando à repetição dos atos do procedimento eleitoral. Aqui começa a primeira lição da tragicomédia.

Quando uma universidade que ensina direito, gestão, políticas públicas, economia, ciência e governação consegue produzir uma eleição que o tribunal manda repetir, talvez seja prudente suspender temporariamente todos os seminários internos sobre “liderança transformacional”. Isto é o equivalente académico a um chef Michelin sofrer uma intoxicação alimentar na sua própria cozinha.

A instituição tentou vestir o episódio com a farda da serenidade. Acatou a decisão, não recorreu, falou em cumprimento integral, normalidade, maturidade institucional e respeito pelas instituições. Tudo palavras bonitas. Aquela serenidade de quem está a tentar esconder um cadáver debaixo de uma carpete de comunicados em inglês, perdão em português. Mas a pergunta que fica é menos harmoniosa. Como é que se chegou a este ponto? Como é que uma eleição para reitor avançou com uma exclusão que acabou judicialmente contrariada? E por que razão, numa instituição que se orgulha de excelência, ninguém antecipou que aquele detalhe jurídico podia........

© Expresso