Burnham, o anti-Thatcher
Depois de ter sido eleito líder dos Trabalhistas e nomeado primeiro-ministro do Reino Unido, começamos finalmente a perceber quem é que será Andy Burnham. O que, enquanto forma de escolha de um chefe de governo, é um pouco excessivamente original e excêntrico, mesmo para os padrões britânicos.
A política britânica tem duas características com as quais vive bem e das quais quase ninguém se queixa. Por um lado, o sistema eleitoral maioritário uninominal, que faz com que um partido possa ter muitos eleitores e quase nenhuns deputados. Ou vice-versa, muitos deputados e nem tantos eleitores quanto isso. Por outro, um sistema verdadeiramente parlamentar, que faz com que se mude de primeiro-ministro sem ter de fazer eleições. Ambas as características podem trazer problemas no futuro próximo.
Nas últimas eleições, em 2024, por exemplo, os Trabalhistas, com 33,7% dos votos, ficaram 411 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns, enquanto os Conservadores tiveram 23,7% (exactamente menos 10%) e apenas 121 deputados. Mas, mais relevante, o Reform UK de Nigel Farage só elegeu cinco deputados, apesar de ter tido 14,3% dos votos.
O problema destas duas características é que podem esconder protagonistas. E é isso que aconteceu e está a acontecer.
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