Não está fácil para os eleitores portugueses
O aumento da desconfiança nos partidos políticos e na democracia portuguesa é cada vez mais notório entre o eleitorado. Oito em cada dez portugueses tendem a não confiar nos partidos políticos e cerca de 49,3% dizem-se "pouco" ou "nada" satisfeitos com a forma como a democracia funciona em Portugal. A isto junta-se o facto de três em cada quatro portugueses revelarem pessimismo em relação à democracia dos últimos 25 anos, de acordo com a Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril (2).
Este fenómeno não é inédito. A desconfiança nas instituições políticas alastrou a toda a Europa, e termos como "políticos do sistema" passaram a servir para caracterizar os partidos que durante décadas controlaram o espaço de governação destes Estados. É este sentimento que leva os europeus, e por consequência os portugueses, a procurar cada vez mais os partidos das margens, os da polarização. Mas porquê? Será que a polarização do eleitorado e o extremismo de opiniões que dela resulta se explicam apenas com o algoritmo das redes sociais ou com a manipulação da informação? A resposta não é simples, mas vale a pena pensarmos um pouco mais sobre a política portuguesa.
A política é, no fundo, refém do estado da nossa sociedade global, e para compreendermos melhor este fenómeno........
