O labirinto de Ventura e o muro de Carneiro
Outubro é, em Portugal, o mês do Orçamento. E com ele normalmente regressa o ritual de sempre: ameaças de chumbo, linhas vermelhas desenhadas a giz, negociações de última hora e dramatizações que se evaporam no minuto da votação. Este ano, porém, convém olhar menos para o documento e mais para quem o vai votar. Tudo está mais sereno. O Orçamento do Estado diz-nos muito sobre as contas do Governo. Diz-nos ainda mais sobre as dificuldades da oposição.
Há dois líderes da oposição com dilemas políticos sérios. Um está num labirinto. O outro está diante de um muro.
Comecemos pelo labirinto de André Ventura. A sua estratégia vive dos casos. Cada semana traz um novo alvo, uma nova indignação, sempre com o mesmo guião e o mesmo volume. Tem sido esse o motor do seu crescimento. Sucede que o combustível que serve para crescer não é o mesmo que serve para governar. Vejamos: entre as legislativas de maio, as autárquicas, as duas voltas das presidenciais e o momento presente, os ponteiros não mexeram assim tanto. O Chega tem um eleitorado fiel, mas tem também um teto. E esse teto chama-se desconfiança e repulsa.
O Orçamento........
