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Votar contra Jesus

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26.02.2026

Passei nove anos da minha vida na catequese. Durante esse período, todos os sábados, ia à missa. As minhas cassetes VHS tinham a Pantera Cor-de-Rosa, mas tinham sobretudo as histórias da Bíblia. Ainda em criança, comecei a ler teoria religiosa para escrutinar episódios bíblicos, e sobretudo para entender de que forma a religião moldou a vida. Já em adulta, escrevi Palavra do Senhor, um romance que parte da Bíblia para ser outra coisa. Sou ateia, e sou-o há muitos anos, mas nada disso me impede de estar, por tudo o que listei, próxima do Cristianismo, muito menos o tira do que sou. Foram muitas as manhãs de domingos a ouvir falar de pão partido, de um homem que lavou os pés a outro, da inutilidade de se ganhar o mundo inteiro quando se perde a alma, da generosidade como forma de estar na vida, do conhecimento da verdade como libertação e sobretudo do amor: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” Se isto não é máxima de vida, não sei o que o será.

Há muito de trágico na Bíblia, em especial no Antigo Testamento: um Deus déspota, cruel, vingativo, movido pela sede de ser venerado, escolhido sobre os demais, incontestado. O Novo Testamento é outra coisa, e a partir dali surgiu uma Igreja nova. Sobretudo, saiu uma filosofia que, ao seu bom estilo metafórico, se vira para o bem – o cuidado com o outro, o braço forte sobre o fraco, mãos que agarram outras mãos.

Pouco me interessa se quem segue estes preceitos o faz em nome de uma entidade abstrata na qual não tenho qualquer crença ou se julga que um homem se levantou depois de morto. Para o efeito deste texto, é irrelevante. Quem olha para os outros como irmãos........

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