Paulo Núncio, o anti-woke
A entrevista que Paulo Núncio deu ao Expresso há dias mostra-nos o que já se suspeitava: o presidente do grupo parlamentar do CDS passa mais tempo a ter opiniões do que a estudar. O resultado é uma conversa de café, ou de estádio da Liga 3, mas com gravata posta à volta do pescoço.
Núncio, o anacrónico Núncio, depois de declarações demasiado anacrónicas sobre a IVG, foi posto de castigo pela própria Aliança Democrática. Montenegro, já se sabe, volta e meia gosta de fingir que não é parceiro dos seus parceiros. Que o diga Gonçalo da Câmara Pereira, de quem o primeiro-ministro também se envergonhou. Ora, rompido o silêncio, eis Núncio a pasmar com o que diz: desta vez, quer “modernizar” a constituição. Assim se usam verbos com conotação positiva sem se dizer o que se quer. Vamos percebendo que o deputado trata as palavras como adornos. E continuou: quer que a Constituição deixe de ser “ideológica”, ou seja, quer o documento à sua medida, que entende como neutra e fim. Estamos nisto há muitos anos: a direita gosta muito de pôr o adjectivo “ideológico” nas coisas que quer refutar. De um lado, a rigidez; do outro, a ideologia subjectiva? A política passa a dividir-se entre técnica e ideologia? E, adivinhe-se, a técnica é desta........
