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Será que Lisboa não está na Europa?

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O diretor de artes performativas do CCB, Serge Rangoni, debruçou-se recentemente numa entrevista ao Público (10 de setembro), que li com atenção e particular interesse, sobre o Centro Cultural de Belém, a sua relação com a Europa e o processo de escolha da sua direção artística.

Há nesta entrevista uma ideia que me merece reflexão: a de que é necessário colocar Lisboa e o CCB no centro da Europa, reforçando as redes internacionais, a circulação dos artistas e a presença das instituições portuguesas nos grandes circuitos europeus.

Concordo absolutamente com o objetivo. O que me surpreende é que ele seja apresentado quase como uma novidade. Portugal não começou agora a relacionar-se artisticamente com a Europa. Lisboa não acaba de descobrir as redes internacionais. E as instituições culturais portuguesas não estiveram, nas últimas décadas, fechadas sobre si próprias, à espera de quem finalmente lhes abrisse as portas do continente.

Digo-o não apenas por ter dirigido artisticamente o Teatro Municipal São Luiz durante oito anos e, mais recentemente, as Artes Performativas e Pensamento do Centro Cultural de Belém. Digo-o porque pertenço a uma geração de programadores, diretores artísticos, produtores e profissionais da cultura que, durante décadas, construiu essas relações, muitas vezes com meios incomparavelmente inferiores aos das grandes instituições europeias.

E esse trabalho não foi feito apenas no São Luiz ou no CCB. Foi construído, ao longo de décadas, por instituições fundamentais da vida cultural portuguesa como o Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII), o Teatro Municipal do Porto (TMP), o Teatro do Bairro Alto (TBA), O Espaço do Tempo, o Alkantara, o Centro Cultural Vila-Flor, a Culturgest ou Serralves, entre muitas outras, através das suas equipas, direções artísticas e programadores, que estabeleceram relações continuadas com artistas, festivais, teatros e redes internacionais.

Foi um trabalho coletivo e........

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