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Cirurgia plástica, fatalidade e o tribunal das redes

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27.05.2026

Mais uma vez, uma tragédia na medicina foi suficiente para transformar um médico em alvo público, antes mesmo da conclusão de qualquer investigação técnica. Bastaram poucas horas após o óbito de uma paciente submetida a cirurgia plástica em Belo Horizonte, para que parte da imprensa e das redes sociais fizesse aquilo que já virou rotina no Brasil: substituir perícia por narrativa, cautela por audiência e informação por linchamento.

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Segundo nota divulgada pela equipe médica, a paciente realizou todos os exames e avaliações pré-operatórias indicados, que apontavam condições adequadas para o procedimento. A paciente foi devidamente informada sobre os riscos, consentindo com eles. Durante a cirurgia, toda a assistência necessária foi prestada, e diante da intercorrência fatal, todas as medidas clínicas disponíveis foram adotadas. Ainda assim, infelizmente, a paciente não resistiu, possivelmente por tromboembolismo pulmonar (TEP), uma complicação amplamente prevista na literatura médica para a cirurgia, sem qualquer conexão com médico, e cujo risco foi devidamente informado à paciente. O IML foi acionado imediatamente, e o caso segue sob apuração pericial.

Ainda assim, contra toda a lógica técnica e científica, o tribunal das redes elegeu imediatamente como responsável pelo óbito o cirurgião, que possui reputação ilibada, com RQE em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica, é devidamente registrado no CRM-MG e na SBCP-MG, e possui todas as credenciais técnicas necessárias para realização das cirurgias em questão.

Ou seja: neste momento, não existe laudo conclusivo, não existe conclusão técnica, não existe sequer indício público de suposto erro médico. Mas existe “julgamento social”, e ele já começou.

Um dos comentários que li na data de ontem afirmava: “essa não é a primeira complicação grave deste cirurgião!” Ora, o cirurgião já realizou mais de 2,8 mil cirurgias em sua carreira. Duas complicações graves representariam um percentual de meros 0,07%. E quando falamos de complicações em lipoaspiração, há estudos que........

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