Cirurgia plástica, fatalidade e o tribunal das redes
Mais uma vez, uma tragédia na medicina foi suficiente para transformar um médico em alvo público, antes mesmo da conclusão de qualquer investigação técnica. Bastaram poucas horas após o óbito de uma paciente submetida a cirurgia plástica em Belo Horizonte, para que parte da imprensa e das redes sociais fizesse aquilo que já virou rotina no Brasil: substituir perícia por narrativa, cautela por audiência e informação por linchamento.
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Segundo nota divulgada pela equipe médica, a paciente realizou todos os exames e avaliações pré-operatórias indicados, que apontavam condições adequadas para o procedimento. A paciente foi devidamente informada sobre os riscos, consentindo com eles. Durante a cirurgia, toda a assistência necessária foi prestada, e diante da intercorrência fatal, todas as medidas clínicas disponíveis foram adotadas. Ainda assim, infelizmente, a paciente não resistiu, possivelmente por tromboembolismo pulmonar (TEP), uma complicação amplamente prevista na literatura médica para a cirurgia, sem qualquer conexão com médico, e cujo risco foi devidamente informado à paciente. O IML foi acionado imediatamente, e o caso segue sob apuração pericial.
Ainda assim, contra toda a lógica técnica e científica, o tribunal das redes elegeu imediatamente como responsável pelo óbito o cirurgião, que possui reputação ilibada, com RQE em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica, é devidamente registrado no CRM-MG e na SBCP-MG, e possui todas as credenciais técnicas necessárias para realização das cirurgias em questão.
Ou seja: neste momento, não existe laudo conclusivo, não existe conclusão técnica, não existe sequer indício público de suposto erro médico. Mas existe “julgamento social”, e ele já começou.
Um dos comentários que li na data de ontem afirmava: “essa não é a primeira complicação grave deste cirurgião!” Ora, o cirurgião já realizou mais de 2,8 mil cirurgias em sua carreira. Duas complicações graves representariam um percentual de meros 0,07%. E quando falamos de complicações em lipoaspiração, há estudos que........
