O fim da Vestfália, a exumação de Augusto e o Conselho de Paz de Trump
A criação do “Conselho da Paz” por Donald Trump, com pretensão de gerir conflitos e “reconstruir Gaza”, à primeira vista, parece uma excentricidade, que mistura marketing e voluntarismo autoritário. Entretanto, revela algo mais profundo: a substituição do sistema internacional historicamente moldado desde a Paz de Vestfália, que inspirou a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) no imediato pós-guerra, por uma gramática de poder antiga e brutal, que nos remete à Roma de Augusto. Ou seja, o mundo da soberania e do equilíbrio pelo da tutela e da hierarquia, com fora a Pax Romana como ordem imperial.
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A Paz de Vestfália não foi apenas o encerramento da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), na qual as rivalidades entre católicos e protestantes e assuntos constitucionais germânicos foram gradualmente transformados numa luta europeia, do Império Sueco e a França para diminuir a força da monarquia dos Habsburgos, que daria origem ao Império Austríaco. A carnificina corroeu economias, destruiu cidades e esgotou sociedades na Europa Central, sobretudo na Alemanha, e tiveram fim com a assinatura, em 1648, dos tratados de Münster e Osnabrück, chamados de Paz de Vestfália.
Vestfália foi o........
