Morte de Manoel Fiel Filho escancarou a tortura nos quartéis da ditadura
Há exatamente 50 anos, num sábado, às 22 horas, um Dodge Dart parou em frente à casa do operário metalúrgico Manoel Fiel Filho, no Bairro da Moca. Ato contínuo, diante de sua mulher, Thereza de Lourdes Martins Fiel, um desconhecido disse secamente: “O Manoel suicidou-se. Aqui estão suas roupas”. Em seguida, jogou na calçada um saco de lixo azul com o macacão do operário morto. “Vocês o mataram! Vocês o mataram!”, gritou desesperada a esposa do operário metalúrgico morto em 17 de janeiro de 1976.
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Alagoano de Quebrangulo, Fiel vivia na capital paulista desde os anos 1950. Tinha trabalhado como padeiro e cobrador de ônibus antes de se tornar operário metalúrgico, era prensista na Metal Arte, no bairro da Mooca. Fora preso por dois agentes do DOI-Codi, o serviço de inteligência do II Exército, na própria fábrica onde trabalhava, sob a acusação de pertencer ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). No dia seguinte à sua prisão, os órgãos de segurança emitiram nota oficial afirmando que Manoel havia se enforcado em sua cela com as próprias meias. Porém, de acordo com testemunhas, quando estava preso, usava chinelos sem meias.
Quando Thereza e outros familiares conseguiram a liberação do corpo para ser enterrado, verificou-se que apresentava sinais evidentes de torturas, principalmente na região da testa, nos pulsos e no pescoço. No entanto, o exame necroscópico solicitado pelo........
