Lula e Flávio representam dois projetos de nação que dividem o Brasil
O segundo turno da eleição brasileira mobiliza complexos interesses. Terras-raras, energia, alimentos, dados, infraestrutura e Amazônia integram a disputa entre Washington e Pequim. Uma vitória de Flávio Bolsonaro aproximará Brasília da agenda de Trump, encurtando a distância política que Lula preserva. O comércio com a China dificulta uma ruptura, mas cresce a pressão por um realinhamento diplomático radical.
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O Brasil vive uma encruzilhada geopolítica e, ao mesmo tempo, de modelo de desenvolvimento: negociar sua inserção como produtor de tecnologia e bens de maior valor ou ampliar o papel de fornecedor de produtos agrícolas e recursos minerais estratégicos. A aproximação americana pode trazer investimentos, mas restringir as alternativas. Em contrapartida, a autonomia que Lula defende precisa produzir resultados. A diplomacia não supera, sozinha, a dependência tecnológica.
Mesmo enfraquecido pela ultrapassagem por Flávio, o governo Lula ainda concentra muito poder, quando nada porque arrecada, normatiza e coage. Entretanto, a expectativa de poder mudou de lado e, agora, na medida em que a votação se aproxima, pode ser maior até do que a força do Estado. Essa mudança de correlação de forças já chegou ao “pântano” da política, formado por alianças pragmáticas, interesses orçamentários e projetos de sobrevivência, que começam a recalcular sua........
